Melhore a comunicação com o Inner Game

Erick Barcelos em atuação durante um de seus workshops sobre a metodologia Inner Game

O Inner Game é uma metodologia prática e simples. Visa orientar os caminhos para reconhecermos as vozes de nossa alma.

Esta filosofia, criada há 45 anos pelo coach norte-americano Timothy Gallwey, surgiu a partir de sua experiência como professor de tênis. Ele observou os processos de aprendizagem e desenvolvimento dos praticantes amadores desse esporte.

No decorrer das décadas seguintes, os ensinamentos da filosofia Inner Game foram incorporados em outros âmbitos para além do universo esportivo. Hoje, ela é uma importante ferramenta para o aperfeiçoamento de profissionais no mundo das organizações de trabalho.

A metodologia Inner Game aprofunda seus estudos acerca da primeira comunicação. Aquela que determinará a origem de todas as outras, como a que permeia nossas relações interpessoais.

Por meio do desenvolvimento de um equilíbrio no diálogo interno entre self 1 e self 2, constrói-se uma melhor comunicação intrapessoal, e o consequente refinamento na relação com o outro.

O self 1 é formado por todas as experiências sociais que nos constituem. Percorre desde a educação adquirida no campo escolar e no âmbito familiar até o repertório cultural desenvolvido no decorrer das nossas vidas à medida que vivenciamos empiricamente grupos e espaços.

É uma espécie de eu inventado ou uma construção mental, já o self 2 é o eu com o qual nascemos, isto é, o eu original. Pensar também é parte do self 2, mas os conceitos que formamos são separados e distintos do eu que os concebe.

Tais conceitos, inventados por nós mesmos ou resultantes de um condicionamento externo, são capazes de nos influenciar consideravelmente.

Por exemplo, se me identifico com um conceito de que não sou bom o suficiente para determinado desafio, provavelmente, começarei a refletir sobre os meus sentimentos e comportamentos por meio da visão desse conceito e do que os outros veem de mim.

Grupos e espaços são responsáveis por formar um conjunto próprio de crenças, pré-julgamentos e paradigmas sobre conceitos vitais. Isso devido à natural e direta influência de pré-conceitos advindos de outros selfies 1 em nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e ações.

A partir do momento em que recebemos uma mensagem de um indivíduo, cuja opinião sobre ele já está formada, o self 1 nos impede de escutar e decifrar a mensagem de forma objetiva.

É como se o self 1 filtrasse apenas aquilo que cabe em um determinado pré-conceito ou mesmo quando se distorce a mensagem recebida. A consequência desse fenômeno é um impacto negativo que é gerado pelo pré-julgamento. Isso resulta em possíveis problemas de relação humana.

Em outros termos, a distorção de uma autoimagem gera uma percepção também distorcida, ocasionada pelo self 1. A consequência são resultados também desvirtuados. Contudo, é importante frisar que uma simples mudança de contexto pode excluir uma lista inteira de interferências geradas pelo self 1.

É interessante notar que a metodologia Inner Game é prática porque, não só suscita os problemas, mas aponta técnicas simples de como é possível minimizar a ação negativa do self 1. Essa filosofia ajuda a ocupá-lo com tarefas mecânicas, a fim de permitir que o self 2 manifeste-se com o seu conhecimento e habilidade inatas.

A metodologia, portanto, perscruta sobre os selfies internos com o intuito de minimizar os nossos condicionamentos mentais, ao libertar, paulatinamente, o indivíduo dos grilhões da autocrítica, do julgamento de si, do peso das suposições e dos impedimentos criados e cultivados pelo eu interior.

O objetivo do Inner Game constitui em reduzir os fatores que interferem e bloqueiam o potencial completo do self 2. Isso porque, quando o ambiente interno é dominado por uma voz julgadora e controladora, menos potencial será visto no self 2.

A partir da tríade consciência, escolha e confiança, o Inner Game ajuda a entender que a mudança começa, antes de tudo, internamente. É de dentro para fora.

A maior dificuldade na mudança é em decorrência da identificação que existe com o self 1 e a sua ótica em interpretar o mundo e atuar sobre ele.

Na comunicação, mesmo se tratando da transferência de uma informação simples, as pessoas costumam não ouvir o que os outros estão dizendo. Elas querem ser ouvidas, mas não, de fato, escutadas.

Nós ouvimos apenas o que esperamos ouvir. Vive-se tempos em que os seres humanos estão cada vez mais hiper conectados, mas também hiper solitários.

Um mundo pós-moderno que se exige profissionais cada vez mais versáteis, convergentes, ágeis e produtivos. No entanto, é permeado por indivíduos que se limitam a viver em redomas sociais e a construírem relações interpessoais conturbadas por falta de empatia, de alteridade e de tolerância, sobretudo, quando se trata da opinião alheia.

A interação com o diferente está cada vez mais complexa. Compondo o problema, as pessoas, frequentemente, não falam o que realmente pensam.

O Inner Game é o jogo interior contra os nossos medos, as nossas angústias, as nossas inseguranças. Quem tem o domínio desse método tem a arte da concentração.

A filosofia Inner Game nos ensina a estarmos plenos e inteiros nas ações. A termos uma mente consciente dos objetivos, um coração cheio para entregar-se aos desafios e as mãos ocupadas para concretizar os passos.

Aos termos, também, consciência de nossa solidão interior, aprendemos a amar as nossas escolhas, a honrar as nossas travessias da vida, a contemplar o momento presente e a estarmos preparados para o porvir.

A metodologia Inner Game, portanto, explora o infinito potencial que percorre nosso corpo. É dessa força imanente, a partir da reconexão com o eu interior, que nasce a vontade de elevar-se para uma consciência integrada.

Encontrar a liberdade é encontrar a chave para acessar a nossa solidão interior. E amá-la.

Ser livre é amar essa solidão interior, aquela que somente a alma conhece. Sem abraçar-se em angústias, medos e inseguranças.

Inner Game nos ensina a ser tudo que nós somos, a assumirmos a diligência de nossas vidas, a sermos pilotos de nossa existência.