O self 1 (nosso eu impostor) na comunicação

O self 1 é o termo cunhado pelo autor americano Timothy Gallwey para explicar sobre o eu que domina a nossa mente, ao expressar avaliações de valor sobre tudo e todos.

O self 1 é formado por todas as nossas experiências sociais, isto é, por tudo que vimos, ouvimos e experimentamos na escola, no trabalho, na família, na igreja, entre outras instituições presentes em nossas vidas.

Como esse meio é altamente influenciado pelos preconceitos de outros selves 1, o  resultado é a formação de crenças, paradigmas e pontos de vista pessoais equivocados acerca dos conceitos vitais.

O problema é que, pela perspectiva do self 1, existem os preconceitos que dão origem aos nossos pré-julgamentos sobre os outros indivíduos.

Este desdobramento acarreta em um prejuízo da comunicação, isto porque, a partir do momento que recebemos uma mensagem na qual já temos um preconceito, o self 1 nos impede de escutar e decifrá-la de forma objetiva. É como se o self 1 filtrasse a mensagem, permitindo ser transmitido apenas aquilo que cabe dentro de seu preconceito ou até mesmo distorcendo a mensagem recebida. A consequência reverbera na resposta ao interlocutor, ao torná-la ambígua e, muitas vezes, confusa, visto que ela interfere na interpretação correta da mensagem. O interlocutor, portanto, é afetado negativamente pelo pré-julgamento, resultando, por conseguinte, em possíveis problemas de convivência.

O self 1 gera também nossa autoimagem que, usualmente, é distorcida da realidade. Tal distorção ocasiona em uma percepção desvirtuada dos estímulos e das mensagens que nos chegam do exterior. Daí, surge uma resposta/ação também bloqueada, que, por sua vez, gera um resultado modificado. Consequentemente, a autoimagem distorcida é reforçada, formando, assim, um círculo vicioso.

O objetivo do Inner Game é reduzir o que interfere na descoberta e na expressão do potencial completo de uma pessoa (self 2).

A maior dificuldade de mudança ocorre pela nossa identificação com a parte equivocada (self 1) e com sua forma de ver o mundo e determinar as escolhas.

Quando o ambiente interno é dominado pela voz julgadora e super controladora do self 1, muito menos potencial do self 2 (o nosso eu genuíno) fica à disposição para interpretar e executar o melhor, gerando um resultado mais assertivo.